EUA, Brasil e o Comércio Baseado em Alianças Ideológicas: A Estratégia Comercial sob Trump
- BAB Consultoria
- 10 de jul.
- 4 min de leitura

EUA, Brasil e o Comércio Baseado em Alianças Ideológicas: A Estratégia Comercial sob Trump
Ao longo da história, os Estados Unidos têm moldado suas relações comerciais não apenas com base em fatores econômicos, mas também em alianças ideológicas e estratégicas. Esse tipo de comércio é conhecido como:
Comércio baseado em alianças ideológicas" (ideological trade alliances), quando países priorizam transações com nações que compartilham seus sistemas políticos e valores.
"Aliado-shoring" ou "friend-shoring", termos atuais para descrever a prática de priorizar cadeias produtivas e acordos comerciais com aliados políticos e econômicos, reduzindo a dependência de países rivais ou com sistemas conflitantes.
Durante a Guerra Fria, por exemplo, os EUA aprofundaram suas relações comerciais com países capitalistas democráticos e impuseram restrições severas às nações socialistas, como Cuba e a antiga União Soviética. Esse padrão estratégico visava garantir segurança nacional, influência global e fortalecimento do modelo econômico liberal-capitalista.
Sob a administração atual de Donald Trump, reeleito em 2024 e no poder desde janeiro de 2025, esse tipo de comércio volta a ganhar força. Trump implementa tarifas e restrições com base não apenas em protecionismo econômico, mas também em retaliações estratégicas de cunho ideológico. Foi o que ocorreu com a China em seu primeiro mandato e, agora, se reflete em medidas direcionadas ao Brasil.
Embora o Brasil seja formalmente uma democracia com economia mista, a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um posicionamento multipolar, aproximando-se de China, Rússia e outras potências com sistemas mais centralizados.
A decisão do presidente Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pode ser interpretada como parte dessa estratégia de "aliado-shoring". Em termos práticos, significa:
Preferência por aliados políticos nas relações comerciais.
Punição econômica a países que desafiam ou ameaçam os interesses dos EUA.
Uso do comércio como instrumento direto de política externa e segurança nacional.

O que essas tarifas representam de fato para a economia brasileira?
Essas novas tarifas impostas pelos EUA já afetam operações comerciais em andamento, criando:
Aumento imediato do custo de exportação para produtos brasileiros, reduzindo sua competitividade no mercado americano.
Necessidade de renegociação de contratos e preços por parte de exportadores, impactando receitas de curto prazo.
Redução do fluxo cambial positivo, afetando a balança comercial brasileira.
Potencial reação em cadeia em setores logísticos, financeiros e produtivos ligados ao comércio exterior.
Historicamente, exemplos similares incluem:
Embargo a Cuba (1960), motivado pelo alinhamento com a União Soviética.
Sanções ao Irã, combinando rivalidade ideológica e segurança.
Guerra comercial contra a China, visando reduzir dependência econômica de um rival estratégico.
Esses casos demonstram que o comércio internacional não é movido apenas por eficiência ou teoria de vantagem comparativa, mas por interesses políticos, alianças estratégicas e preservação de sistemas de valores.
No caso brasileiro, as tarifas impostas pela administração Trump vão além de disputas comerciais pontuais. Elas representam um recado geopolítico claro: os EUA priorizam relações econômicas com países alinhados ao seu modelo capitalista-liberal e dispostos a cooperar dentro de sua esfera de influência.
Em um mundo onde economia e geopolítica estão profundamente entrelaçadas, compreender estas dinâmicas é fundamental para líderes empresariais, consultores estratégicos e formuladores de políticas públicas que desejam posicionar o Brasil de forma competitiva e diplomática no cenário global.
Como isso pode afetar os brasileiros e a indústria nacional?
Quando os Estados Unidos impõem tarifas mais altas sobre produtos brasileiros, setores como petróleo, aço, aeronáutico, café e celulose sofrem diretamente. Isso pode gerar redução nas exportações, corte de produção, demissões e queda de receita em cadeias produtivas inteiras. Além disso, empresas que dependem desse fluxo de exportação podem perder competitividade global, afetando desde multinacionais, como a Embraer, até pequenos produtores rurais ligados ao café.
No fim, esses impactos chegam ao consumidor brasileiro, com menos investimentos, menor geração de empregos qualificados e queda na arrecadação de impostos que sustentam serviços públicos.

Impacto das tarifas na inflação brasileira
A redução das exportações causada pelas tarifas americanas pode pressionar a economia brasileira de várias formas que acabam refletindo na inflação. Com a queda nas vendas externas, empresas produzem menos, o que pode levar à redução da oferta de produtos no mercado interno, especialmente de commodities como petróleo, aço e café. Além disso, a perda de receita das empresas e a redução de investimentos podem gerar desemprego e menor capacidade de consumo. Para tentar compensar essas perdas, algumas empresas podem aumentar preços para manter margens de lucro, contribuindo para a alta geral dos preços. Por fim, a menor entrada de dólares decorrente da redução das exportações pode pressionar a cotação do real, tornando produtos importados mais caros e alimentando ainda mais a inflação.
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